Faz tempo que um email falso roda pela internet. Nele existe uma apresentação em Power point que diz: “Marte irá ficar muito perto da Terra, em torno de 55 milhões de quilômetros, e que isso só se repetiria em 2287. Além disso, dizia que Marte será, depois da Lua, o objeto mais brilhante do céu. Até aí tudo bem. O absurdo apareceu quando foi dito que “A olho nu, Marte parecerá tão grande quanto a Lua cheia“.
Mas como hoaxes (embustes, farsas) têm uma tendência a ficarem circulando quase que indefinidamente, não deu outra. Duas semanas atrás recebi outro email, agora sem o ppt, falando novamente das “Duas Luas de Agosto“, em alusão ao suposto tamanho que Marte teria neste fatídico dia.
Como sou indagado toda hora, por uma rádio ou jornal sobre o assunto, e não quero ter que responder o mesmo email de novo no ano que vem, e também para aproveitar a proximidade do dia 27/08, resolvi pesquisar mais um pouco e chegar a uma resposta mais conclusiva sobre o assunto. Então vamos lá…
Dados atuais de Marte:
Magnitude: 1,7
Conjunção: 05-Dec-2008
Perihélio: 21-Abr-2009
Oposição: 29 – Jan – 2010
Ou seja, trata-se de uma matéria requentada e espalhada indiscriminadamente pela internet.
Qual teria que ser a distância que Marte deveria estar da Terra para parecer tão grande quanto a lua?
Para que Marte tivesse o mesmo tamanho aparente da lua, ele teria que estar a 740.000 quilômetros de distância da Terra, isto é, a menos de 1% da menor distância entre Terra/Marte, o que equivale a 2 segundos luz!
A Prova dos Nove
E depois ainda consegui fazer um tipo de prova dos nove de toda esta enrolação. Veja só: 740.000 quilômetros corresponde +- ao dobro da distância da Terra à Lua, que é de 384.000 quilômetros. E a lua tem praticamente a metade do tamanho de Marte. Então para que Marte, que tem o dobro do tamanho da lua, aparentasse ter o mesmo tamanho aparente dela, teria que estar ao dobro de distância da Terra!
Um “monstro magnético” que assombrava os astrônomos há anos acaba de ter sua existência explicada com imagens do Telescópio Espacial Hubble. O trabalho divulgado nesta semana resolve o mistério que envolvia os imensos tentáculos coloridos vistos em volta da NGC 1275, uma gigantesca galáxia elíptica relativamente próxima (em termos astronômicos) da nossa Via Láctea.
Esses filamentos coloridos de gás surgem quando a atividade energética perto do buraco negro localizado no centro galáctico “sopra” bolhas de material cósmico para a área ao redor da galáxia. Essa é a única manifestação visual que sai de uma complexa relação entre o buraco negro e o gás do aglomerado de galáxias. E uma peça-chave para entender como um buraco negro afeta tudo que está ao seu redor.
As primeiras imagens das faixas de gás que formam esses filamentos foram obtidas pela equipe liderada por Andy Fabian, da Universidade de Cambridge, com a ajuda do Hubble. Apenas uma delas tem um milhão de vezes mais massa que o nosso Sol. Embora tenham apenas cerca de 200 anos-luz de largura, podem se estender por até 20 mil anos-luz de comprimento.
Antes das imagens, os cientistas tinham dificuldade de entender como estruturas tão delicadas conseguiam sobreviver em um ambiente tão hostil por mais de 100 milhões de anos. Pelo que sabíamos, elas deveriam ter se aquecido e evaporado ou então colapsado e virado estrelas.
Agora, a equipe de Fabian afirma, na edição desta semana da revista científica britânica “Nature”, que campos magnéticos mantêm esse gás no lugar e servem como proteção para evitar um colapso.
Uma professora holandesa do ensino fundamental que também é astrônoma amadora descobriu um objeto que está sendo chamado de “fantasma cósmico” — uma forma estranha e gasosa com um buraco no meio que pode representar uma nova classe de objeto astronômico.
Hanny van Arkel encontrou o bizarro objeto ao trabalhar como voluntária no projeto Galaxy Zoo, que pede a ajuda do público para classificar galáxias na web. “No começo, eu não tinha a menor idéia do que era aquilo. Poderia estar no nosso Sistema Solar ou nas fronteiras do Universo”, afirmou em comunicado oficial o astrofísico Kevin Schawinski, da Universidade Yale e da equipe do Galaxy Zoo.
O achado, apelidado de ”Hanny’s Voorwerp” (objeto de Hanny, em holandês), logo atraiu os telescópios dos cientistas. “O que vimos era realmente um mistério. O Voorwerp não continha nenhuma estrela”, diz Schawinski. Feito inteiramente de gás muito quente, o objeto verde e fantasmagórico é iluminado por um resto de luz da galáxia IC 2497, que fica ali perto.
Luz do passado
“Achamos que, no passado recente, essa galáxia abrigou um quasar extremamente brilhante”, afirma o astrônomo. Ele disse que a luz vinda do passado ainda ilumina o objeto-fantasma, embora o quasar tenha desaparecido há uns 100 mil anos e o buraco negro da galáxia esteja silencioso. “É esse eco de luz que foi congelado no tempo e nos permitiu essa observação”, diz Chris Lintott, da Universidade Oxford, que também é um dos organizadores do Galaxy Zoo.
Os pesquisadores devem usar em breve o Telescópio Espacial Hubble para examinar melhor o objeto. “É incrível que essa coisa esteja armazenada nos arquivos há décadas, e que voluntários amadores possam ajudar a achar objetos como esse na web”, disse Arkel em comunicado oficial. Mais de 150 mil astrônomos amadores do mundo todo participam do Galaxy Zoo.
Último eclipse da lua poderá ser apreciado em Mato Grosso
ISA SOUSA Especial para o Diário
O último eclipse lunar deste ano poderá ser visto no próximo sábado, a partir das 17h20, em Mato Grosso. O eclipse será observado facilmente a olho nu, mas em Cuiabá o astrônomo amador Eduardo Baldaci disponibilizará dois telescópios para observação gratuita, na praça das Bandeiras.
O astrônomo explica que o fenômeno começa às 14h20, mas como em Mato Grosso a lua nasce após 17h, o Estado terá aproximadamente 3 horas para visualizá-lo, terminando às 19h55. Além do eclipse, os planetas Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno também poderão ser visualizados. “Irei disponibilizar dois telescópios para que em um seja visto o eclipse e no outro, os planetas”, informou Baldaci.
Eduardo Baldaci é um dos quatro astrônomos amadores brasileiros reconhecidos pela NASA e atua na área há 25 anos. Fenômenos como eclipses solar ou lunar são informações que a própria NASA fornece a Eduardo, conforme ele, sempre que vão acontecer.
O eclipse lunar é um fenômeno celeste que ocorre quando a lua penetra parcialmente ou totalmente no cone de sombra que a Terra projeta, e geralmente é visível a olho nu. Em Mato Grosso, o primeiro eclipse lunar de 2008 aconteceu no dia 21 de fevereiro.
Sábado terá lua cheia com último eclipse solar do ano
No próximo sábado (16), os mato-grossenses irão ver o último e visível eclipse lunar do ano em Mato Grosso. Em Cuiabá , a Lua começará a surgir no horizonte às 17h34. Mas somente após 17h42 o fenômeno estará totalmente visível no horizonte. O fenômeno poderá ser observado por telescópios na Praça das Bandeiras. Os instrumentos serão disponibilizados pelo astrônomo amador, Eduardo Baldacci.
Na Capital, a lua deixará a sombra em torno de 18h44. Nesse horário deverá terminar a parte perceptível desse eclipse, embora este ocorra até 19h56, quando a Lua deixa a umbra (parte mais forte da sombra)… “Esse eclipse lunar parcial será visível quando a Lua estiver bem próxima ao horizonte, por isso quem quiser observar melhor esse fenômeno deve procurar lugares altos, ou lugares baixos sem construções à frente, o que é difícil numa cidade”.
Como um eclipse lunar acontece quando a Lua está na fase cheia, o observador deve procurar o satélite no lado oposto ao pôr-do-sol.
Um eclipse lunar pode ser observado a olho nu, e não causa nenhum dano “a visão. A parte escura na Lua é apenas a sombra da Terra projetada em sua superfície.
Em 2009, Ano Internacional da Astronomia – em comemoração aos 400 anos de invenção por Galileu Galilei do telescópio -, Cuiabá só poderá observar eclipses lunares de difícil percepção para o público em geral.
O próximo lunar perceptível em Mato Grosso ocorrerá na madrugada de 21 de dezembro de 2010. Por ano, segundo Baldacci, ocorrem 2 eclipses solares. O último foi em fevereiro deste ano. (AN)
No próximo sábado dia 16 de Agosto será um dia para ficar com os olhos voltados ao céu. Ao mesmo tempo, poderão ver vistos um Eclipse, 5 Planetas (Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno) e dois trânsitos de satélites sobre os céus de Cuiabá (ISS e Hubble).
Por Volta das 17:20 h a Lua nasce no horizonte totalmente eclipsada, sendo possível ver do lado oposto o “alinhamento” dos Planetas Mercúrio, Vênus, Saturno e Marte. Quase no meio do céu, veremos Júpiter na constelação de Sargitário.
Por volta das 18:30, a ISS surgirá na constelação do Darco sendo visível por segundos até o seu trânsito até a constelação do Cisne.
Já o Hubble será visível às 18:15 no sentido Sudoeste – Sudeste, passando pela constelação do Escorpião., muito próximo de Júpiter.
DICA: TENHA PACIÊNCIA E PREPARE-SE ALGUNS MINUTOS ANTES DO HORÁRIO MARCADO. VOCÊ, OLHANDO PARA O LOCAL CERTO, REALMENTE PODERÁ VER TODOS OS EVENTOS.
Na noite deste sábado será marcada por dois fenômenos astronômicos diferentes. Os cuiabanos poderão ver o alinhamento dos planetas Vênus, Júpiter, Saturno e Marte, além de uma chuva de meteoros causada pela passagem do cometa Swift-Tuttle. A observação será possível a olho nu se não houver fumaça de queimadas ou nuvens no céu. O melhor horário para a visualização dos fenômenos é à meia-noite.Eduardo Baldaci é astrônomo amador em Cuiabá há 25 anos e um dos quatro reconhecidos pela Agência Espacial Americana (Nasa) no Brasil. Ele esclarece que a visualização do cometa não será possível, mas sim de suas partículas. O cometa Swift-Tuttle já passou cruzando a órbita da Terra, deixando seu rastro – ele passa pelo nosso planeta a cada 135 anos. O que os cuiabanos vão observar neste fim de semana é a queda dos dejetos do cometa, chamados meteoros. Eles ficam incandescentes quando passam pela atmosfera terrestre, atraídos pela gravidade do planeta.Chuvas de meteoros e alinhamentos de planetas são fenômenos que se repetem com periodicidade e diferentes níveis de visualização. Baldaci lembra, por exemplo, que a chuva prevista para o próximo sábado chama-se Perseidas, pois será observada próxima à constelação de Perseu. O mesmo fenômeno, previsto para outubro, recebe o nome de Orionídeas (observado próximo à constelação de Órion) e é causado por partículas do famoso cometa Halley, que passa perto da Terra a cada 76 anos.
Baldaci aproveita os momentos em que fenômenos celestes acontecem para divulgar a necessidade de investimentos na área astronômica em Mato Grosso. Ele lembra que 2009 é o Ano Internacional da Astronomia, instituído pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Cuiabá é uma das únicas capitais brasileiras que não possui um planetário – o único planetário ativo no Centro-Oeste está em Goiás.
O estudo da astronomia, diz Baldaci, contribui para a consciência de cidadania planetária e para a educação ambiental. No dia 16, Baldaci estará na praça das Bandeiras e contará com dois telescópios para que a comunidade possa observar o próximo eclipse parcial da lua.
Para a geofísica, tudo foi causado pela queda de um asteróide no mar.
Você sabia que mais de cinco mil asteróides viajam sobre nossas cabeças, em órbita perto da Terra, perdidos no espaço?
Os cientistas alertam: não é desprezível a chance de um deles despencar em nosso planeta.
O povoado de Carancas, no Peru, tem dois mil habitantes e 3,8 mil metros de altitude. Fica perto do famoso Lago Titicaca, na fronteira com a Bolívia.
“No dia 15 de setembro de 2007, às 11h45, ouvimos um estrondo. Parecia um terremoto”, conta Maximiliano Trujillo, presidente da comunidade de Carancas.
Destroços foram lançados a 200 metros e quebraram o telhado de uma casa. “Será que é um míssil? Estamos sendo atacados por outro país?”, lembra Trujillo.
O invasor vinha de muito longe: do espaço. O pacífico vilarejo andino foi palco de um evento raro: a queda de um meteorito. Vizinhos destruidores rondam o nosso planeta. Já foram identificados mais de cinco mil deles vagando perigosamente perto da Terra. O último a cair foi esse no Peru. Por sorte, era pequeno e não feriu ninguém. Mas quando virá o próximo? E que estrago pode causar?
Asteróides são imensos blocos, de rocha ou metal, perdidos no espaço há milhões de anos. Quando caem na Terra, os asteróides passam a ser chamados de meteoritos.
“Ele passa com uma velocidade hipersônica, 100 ou 200 vezes maior do que a velocidade do som. Isso dá uma frente de choque brutal quando ele vem”, explica Enos Picazzio, professor do departamento de astronomia da Universidade de São Paulo (USP).
Foi um meteorito gigantesco que exterminou os dinossauros, há 75 milhões de anos. A geofísica Dallas Abbott, da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, encontrou evidências de que muitos desastres ocorreram há muito menos tempo.
Dallas Abbott teve uma grande idéia: se a água recobre 70% da superfície terrestre, então a maior parte dos asteróides cai no mar. A tese vem se confirmando. Pode haver mais de 100 crateras debaixo do oceano, um território pouco estudado.
“Na verdade, nós sabemos mais sobre a superfície de Vênus do que sobre o fundo do mar”, comenta Dallas Abbott.
Perto de Madagascar, na África, Abbott acredita ter encontrado indícios de uma catástrofe bíblica. Há 4,8 mil anos – o que, do ponto de vista geológico é ontem – um objeto de mais de três quilômetros de diâmetro teria gerado uma tsunami de quase 200 metros de altura.
Ao descrever o dilúvio, a Bíblia fala em 40 dias e 40 noites de inundação. Para a geofísica Dallas Abbott, tudo foi causado pela queda de um asteróide no mar. Mas não é só com esses impactos gigantes que os cientistas se preocupam. Asteróides pequenos trazem risco imediato.
“A gente só consegue observar quando eles estão muito próximos”, acrescenta Enos Picazzio.
Foi o que aconteceu no Peru. O meteorito de Carancas caiu a uma velocidade de três quilômetros por segundo, explodiu no solo e surpreendeu a todos.
A cratera de Carancas hoje está coberta por uma lona por iniciativa dos moradores. É que este é um povoado muito pobre e as pessoas acham que, protegendo a cratera, podem um dia vir a atrair turistas, por exemplo.
Mas se hoje as pessoas de Carancas estão felizes com a cratera, não foi assim no dia em que o objeto caiu. Era um objeto de cerca de um metro de diâmetro que provocou todo o estrago e apavorou a população.
Na época, 164 moradores procuraram o posto de saúde. “Sentiam dor de cabeça, dor de estômago e mal-estar”, lembra a agente de saúde Nélida Chaiña.
“Minha preocupação era se o material poderia ser radioativo”, diz o astrônomo José Ishitsuka, do Instituto Geológico do Peru. Ele fez parte da equipe que analisou a cratera. Não encontrou radioatividade ou substâncias tóxicas. Mas então por que as pessoas passaram mal?
“Foi psicológico”, avalia a agente de saúde Nélida Chaiña.
“A probabilidade de um asteróide cair na terra ainda este século é de 100%. A questão é saber o tamanho”, prevê a geofísica Dallas Abbott, que arrisca: “Pode ser algo em torno de 30 metros”.
Trinta metros era o diâmetro aproximado do objeto que atingiu a Sibéria, em 1908. Ele se desintegrou no ar e nem bateu no chão. Foi o suficiente para devastar uma área de 2 mil quilômetros quadrados de floresta. A região toda ficou destruída.
Hoje, os super-telescópios estão voltados para um inimigo do tamanho de um estádio de futebol. “É um asteróide chamado ‘Apophis’”, conta o professor Enos Picazzio.
Existe uma chance pequena, porem nada desprezível, de que Apophis atinja a Terra em menos de 30 anos. “Seria por volta de 2036”, calcula Picazzio.
Esse impacto provocaria uma catástrofe climática. Chuvas ácidas, diminuição drástica da temperatura e tempestades de poeira que deixariam o planeta nas trevas por décadas. Mas como evitar essa tragédia?
“Em termos práticos, seria você montar um esquema de patrulhamento eficiente na região intermediária entre a Terra e Marte”, explica Picazzio.
Fala-se até em enviar uma espaçonave com um sistema de propulsão para desviar o asteróide. Ou ainda: usar a luz do sol, refletida num grande espelho espacial, para empurrar o objeto para longe.
“Porque a luz exerce uma pressão. É muito pequena, mas numa escala de tempo muito grande e insistentemente em cima desses objetos, você conseguiria alterar a órbita”, acrescenta o professor da USP.
Mas é tudo muito caro e sem a menor garantia de sucesso. A gente simples de Carancas teme que outro meteorito caia no povoado, mas é muito improvável. Assim como é improvável que uma catástrofe extermine a espécie humana a curto prazo. Milhares e milhares de anos podem se passar, mas…
“Que um dia vai acontecer, vai”, garante Picazzio.
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