Maior lua de Saturno também tem oceano com potencial para abrigar vida

Titã, a maior das luas de Saturno, acaba de entrar num grupo seleto: o dos corpos celestes no Sistema Solar que possuem um oceano capaz de abrigar vida. O mérito do achado vai para a sonda americana Cassini e mais ainda para um grupo de argutos cientistas que juntou várias peças de um complicado quebra-cabeças para chegar a essa conclusão.

Imagem da sonda Cassini mostra a lua Titã, com o planeta Saturno ao fundo (Foto: Nasa) 
A hipótese se soma a outras que têm mudado a face do Sistema Solar nas últimas décadas. Trinta anos atrás, os cientistas pareciam certos de que o único corpo no Sistema Solar a ter água líquida em quantidade suficiente para ser um abrigo para a vida era a Terra. Hoje, já estão nessa lista as luas Europa, Calisto e Ganimedes, de Júpiter.

Titã, como dizem os jogadores de futebol, vem para somar. E pode nem ser o último reforço no elenco dos mundos habitáveis ao redor do Sol — há suspeitas de que Encélado, uma pequenina lua saturnina, também possua, pelo menos, lagos subterrâneos de água.

Com a descoberta, Titã reforça sua imagem de fascínio. A lua é a segunda maior do Sistema Solar e já capturava as mentes dos cientistas por conta de sua densa atmosfera, composta por uma série de compostos orgânicos — principalmente hidrocarbonetos. Os astrônomos viam essa lua como uma versão “congelada” da Terra, cuja aparência remonta ao modo como nosso planeta deve ter sido logo após a formação do Sistema Solar, 4,5 bilhões de anos atrás. Por isso, os pesquisadores já esperavam descobrir lá muitas coisas sobre como a química que viria a dar origem à vida pode ter começado.

O novo achado vai ainda mais longe e sugere que Titã pode ter mais que a química pré-vida; talvez existam até formas de vida no oceano da lua.

 Água oculta

Como nas descobertas ligadas a Europa, Ganimedes e Calisto, não houve observação direta da água. Na verdade, análises da superfície das luas dão indícios de que possa haver um oceano de água líquida sob suas crostas congeladas.

E, no caso de Titã, o efeito é muito curioso: ele faz com que a lua gire ao redor de si mesma mais rápido do que o faria se o oceano não estivesse lá.

Medir o período de rotação da lua é muito complicado, porque a presença de nuvens muito densas impede a observação rotineira da superfície. Mas os cientistas tinham uma forte desconfiança de que Titã estivesse “gravitacionalmente travado” com Saturno. Assim como a Lua, que mantém sempre a mesma face voltada para a Terra (o que equivale a dizer que ela gira ao redor do planeta e em torno de si mesma no mesmo tempo), Titã deveria manter a mesma face sempre voltada para Saturno. Só que, para a surpresa dos cientistas, a lua saturnina na verdade gira em torno de si mesma um pouquinho mais rápido do que revolve ao redor de Saturno.

Os cientistas descobriram isso ao comparar medições de radar feitas sucessivamente pela Cassini durante seus sobrevôos de Titã. O grupo encabeçado por Ralph Lorenz, da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, constatou que havia uma discrepância de alguns quilômetros entre onde determinados traços da superfície estavam e onde deveriam estar, pela hipótese do “travamento gravitacional”.

Isso, para os cientistas, é resultado da interação da atmosfera com a superfície — os ventos que sopram em Titã poderiam estar interagindo com a crosta da lua e acelerando sua rotação. Mas essa explicação só pode estar correta se no interior da lua, entre a crosta e o núcleo sólidos, houver uma camada fluida. É aí que os cientistas acham que entra o oceano global subterrâneo de água líquida.

A idéia é boa, mas será que ela se sustentará diante das próximas evidências? A equipe de Lorenz está apostando que sim e conta com futuros sobrevôos da Cassini para confirmar as conclusões. Mas ele diz que mais detalhes sobre esse oceano só poderiam ser obtidos com uma nova missão, dedicada exclusivamente a Titã.

“Uma missão assim poderia fornecer novas medições de rotação do astro, que combinam o apelo astrobiológico de um oceano de água subterrâneo num satélite gelado cheio de compostos orgânicos com efeitos de rotação de um corpo sólido conduzidos por dinâmicas atmosféricas que são mais profundas do que as observadas em planetas como a Terra”, escreveram os cientistas, em artigo publicado na edição desta semana do periódico científico “Science”.

Começa assim o “lobby” dos cientistas por uma nova missão a Titã. Sabe-se que a Nasa pretende definir ainda neste ano o destino de um projeto bilionário voltado à região do Sistema Solar além de Marte. De saída, Europa (em Júpiter) e Titã (em Saturno) já aparecem como os principais candidatos.

A hipótese se soma a outras que têm mudado a face do Sistema Solar nas últimas décadas. Trinta anos atrás, os cientistas pareciam certos de que o único corpo no Sistema Solar a ter água líquida em quantidade suficiente para ser um abrigo para a vida era a Terra. Hoje, já estão nessa lista as luas Europa, Calisto e Ganimedes, de Júpiter.

Titã, como dizem os jogadores de futebol, vem para somar. E pode nem ser o último reforço no elenco dos mundos habitáveis ao redor do Sol — há suspeitas de que Encélado, uma pequenina lua saturnina, também possua, pelo menos, lagos subterrâneos de água.

Com a descoberta, Titã reforça sua imagem de fascínio. A lua é a segunda maior do Sistema Solar e já capturava as mentes dos cientistas por conta de sua densa atmosfera, composta por uma série de compostos orgânicos — principalmente hidrocarbonetos. Os astrônomos viam essa lua como uma versão “congelada” da Terra, cuja aparência remonta ao modo como nosso planeta deve ter sido logo após a formação do Sistema Solar, 4,5 bilhões de anos atrás. Por isso, os pesquisadores já esperavam descobrir lá muitas coisas sobre como a química que viria a dar origem à vida pode ter começado.

O novo achado vai ainda mais longe e sugere que Titã pode ter mais que a química pré-vida; talvez existam até formas de vida no oceano da lua.

 Água oculta

Como nas descobertas ligadas a Europa, Ganimedes e Calisto, não houve observação direta da água. Na verdade, análises da superfície das luas dão indícios de que possa haver um oceano de água líquida sob suas crostas congeladas.

E, no caso de Titã, o efeito é muito curioso: ele faz com que a lua gire ao redor de si mesma mais rápido do que o faria se o oceano não estivesse lá.

Medir o período de rotação da lua é muito complicado, porque a presença de nuvens muito densas impede a observação rotineira da superfície. Mas os cientistas tinham uma forte desconfiança de que Titã estivesse “gravitacionalmente travado” com Saturno. Assim como a Lua, que mantém sempre a mesma face voltada para a Terra (o que equivale a dizer que ela gira ao redor do planeta e em torno de si mesma no mesmo tempo), Titã deveria manter a mesma face sempre voltada para Saturno. Só que, para a surpresa dos cientistas, a lua saturnina na verdade gira em torno de si mesma um pouquinho mais rápido do que revolve ao redor de Saturno.

Os cientistas descobriram isso ao comparar medições de radar feitas sucessivamente pela Cassini durante seus sobrevôos de Titã. O grupo encabeçado por Ralph Lorenz, da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, constatou que havia uma discrepância de alguns quilômetros entre onde determinados traços da superfície estavam e onde deveriam estar, pela hipótese do “travamento gravitacional”.

Isso, para os cientistas, é resultado da interação da atmosfera com a superfície — os ventos que sopram em Titã poderiam estar interagindo com a crosta da lua e acelerando sua rotação. Mas essa explicação só pode estar correta se no interior da lua, entre a crosta e o núcleo sólidos, houver uma camada fluida. É aí que os cientistas acham que entra o oceano global subterrâneo de água líquida.

A idéia é boa, mas será que ela se sustentará diante das próximas evidências? A equipe de Lorenz está apostando que sim e conta com futuros sobrevôos da Cassini para confirmar as conclusões. Mas ele diz que mais detalhes sobre esse oceano só poderiam ser obtidos com uma nova missão, dedicada exclusivamente a Titã.

“Uma missão assim poderia fornecer novas medições de rotação do astro, que combinam o apelo astrobiológico de um oceano de água subterrâneo num satélite gelado cheio de compostos orgânicos com efeitos de rotação de um corpo sólido conduzidos por dinâmicas atmosféricas que são mais profundas do que as observadas em planetas como a Terra”, escreveram os cientistas, em artigo publicado na edição desta semana do periódico científico “Science”.

Começa assim o “lobby” dos cientistas por uma nova missão a Titã. Sabe-se que a Nasa pretende definir ainda neste ano o destino de um projeto bilionário voltado à região do Sistema Solar além de Marte. De saída, Europa (em Júpiter) e Titã (em Saturno) já aparecem como os principais candidatos.


 

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